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Um”para sempre”? Um”nunca mais”?

11 Outubro 2008 39.765 views Não Commentado

Antonio CasteleiroEstive a pensar no tempo e no quanto ele é relativo. Conceitos como cedo ou tarde demais, “para sempre” ou “nunca mais”, só mais um minuto ou por toda a eternidade são constantes na fala, no pensamento e na vida, senão de todos, de muitos de nós.

Quantas vezes não disse que amaria “para sempre” ou que não queria ver aquela pessoa “nunca mais”? Quantas vezes chegou cedo demais na vida de alguém ou decidiu falar o que sentia tarde demais? Pior ainda, quantas vezes não desejou sentir algo por toda a sua eternidade e no minuto seguinte viu tudo desmoronar-se como um castelo de areia?

Creio eu, que muitas vezes. Mas pensando nestas situações agora, pode ser que muitas já ganharam outro sentido em sua vida e inclusive fizeram gargalhar ao lembrar de alguns acontecimentos. Afinal, em momentos de crise, muitas vezes, nos tornamos ridículos.

Já houve quem quase morreu de tanto chorar, de fazer greve de fome ou atirar-se de um andar, achando que a vida havia perdido o sentido “para sempre”.

Porquê tudo isso? Porque o tempo, que dizem por aí, ser quem tudo cura, também é relativo.

O seu “para sempre” pode ser o minuto de alguém, da mesma forma que um até breve pode ser um definitivo “nunca mais”.

Isto tudo é realmente muito confuso e estranho, quero dizer, humano.

Pensar demais em coisas desse tipo causa crises existenciais, mas quando você já está no ápice de uma, a reflexão é uma forma de encontrar respostas. Respostas não para os problemas da humanidade, mas para você mesmo, para suas angústias e aflições, para suas lamentações e para aquela dor que só você sente e por isso é a maior do mundo.

Quando sabemos o que está sendo prioridade na nossa vida passamos a entender com mais facilidade o quanto o tempo é relativo.

O facto de um “para sempre” ter sido breve é dolorido para quem queria que fosse eterno, mas para quem o tornou breve foi só mais um momento, e por quê? Porque não era prioridade na vida daquela pessoa esse sentimento ou a vontade de eternizá-lo. É aqui que nos enganamos constantemente.

Acreditar que o que sentimos provoca no outro a mesma intensidade de emoções que em nós é bobagem.

É mais ou menos o que aquela frase quer dizer: numa relação, sempre um dos dois gosta mais que o outro. Pode parecer estranho, mas esse “gostar mais”, não é nada mais do que a relatividade do tempo.

O facto de você querer estar cada minuto com alguém e viver “para sempre” ao lado dessa pessoa, não obriga que ela também queira ou precise ficar cada minuto ao seu lado para estar “para sempre” com você.

Quando alguém diz que não a quer ver “nunca mais”, pode acreditar que naquele instante a vontade é mesmo essa, mesmo que pareça o contrário.

Contudo, esse “nunca mais” não vai durar uma eternidade, pois, uma hora a mágoa passa e você acaba sendo só mais um momento na vida desse alguém, e ai, tanto faz a ver em breve ou “nunca mais”.

Entrar sem querer na vida de alguém e ouvir dessa pessoa que você é a pessoa certa na hora errada é uma das piores coisas para um coração sensível. Então, você pensa: que situação é essa de ter hora certa para se apaixonar, a gente não manda no coração. Com certeza, você tem toda razão, mas aí entra, novamente, o conceito de prioridade, se essa pessoa não tiver como objetivo principal apaixonar-se, pode acreditar que mesmo você sendo a mulher da vida dele, ele a vai deixar partir, pois, acredita que nesse momento não é a melhor escolha, ou pior, que você pode estragar seus planos. Então, não insista e se um dia ele voltar, talvez seja sua vez de dizer: agora meu querido, é tarde demais.

Hoje, compreendo perfeitamente isso e creio que descobri um tesouro, ao entender que tudo, inclusive e principalmente o tempo, é relativo. Então, tento não otimizar de forma extremada os meus bons momentos a ponto de que pareçam tão perfeitos que “nunca mais” irei senti-los, mas também não deixo de vivê-los, por achar que nada dura “para sempre”.

Apenas vivo. Seja por uma vida inteira ou por apenas um minuto. Vivo de forma que possa ser feliz “para sempre” ou não desejar aquilo “nunca mais”. Vivo cada instante, até que possa olhá-lo como uma lembrança que me faça chorar de tanto rir, ou apenas chorar. Arrependo-me, mas vivo. Faço planos e mantenho meus sonhos, só não deixo que eles me tirem do chão. Este é o segredo da vida. Viver intensamente.

Licença Creative Commons   Este trabalho de Antonio Casteleiro, está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em www.antoniocasteleiro.com

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Este blog é um espaço de análise e opinião. Da minha análise sobre factos e coisas do dia-a-dia, e da opinião que à cerca delas vou construindo. Sobre o que escrevo, muitos dos que me lerem estarão de acordo e muitos outros discordarão. Não há mal nenhum nisso. Assim uns e outros saibam respeitar uma opinião contraria. Antonio Casteleiro.