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A solidão…a minha solidão!?

8 Março 2008 3 Comentarios

Antonio CasteleiroO tema não é novo.

Acredito que desde que o homem é homem, em qualquer tempo, espaço e língua, a solidão foi percebida, refutada, trabalhada e cantada.

Costumo dizer que é a musa dos artistas por inspirar grandes obras.

Já nos livros de psicologia, aquela angústia infundada, aquela sensação de vazio tão bem definidas como “buraco narcísico’, aquele mais vulgarmente denominado “tédio”, talvez já fosse uma maneira técnica de definir que a solidão é parte de nós.

É a nossa constituição, enquanto seres dotados de inteligência, que olha o mundo mas não o compreende… e busca entender a si…

Nossa condição é um mistério que nos desafia a nós mesmos!

Quem já não ouviu dizer que viemos para o mundo sós, nele permanecemos e dele sairemos na mesma condição?

Pode até parecer algo mórbido, mas se pararmos para analisar friamente, é assim mesmo que ocorre.

Mas se somos plenos jamais estamos sozinhos…

Caminhamos connosco e nosso maior encontro é connosco mesmos!

Mas particularmente, acredito que a solidão é episódica e necessária na vida, talvez não perene, e acho que existe várias maneiras de se ser sozinho.

Paradoxal ao que escrevi? Não, é apenas uma mudança do foco do pensamento.

Vejamos. Há os que são sozinhos momentaneamente, apenas por opção, os que o são por destino, há os sozinhos que são “sozinhos” a sós, e os que são sozinhos acompanhados. E há que se saber “usar” a solidão…coloca-la a nosso favor…

A solidão não é mérito, mas também não é demérito. É contingência, e talvez seja o nosso maior instrumento para o autoconhecimento, posto que é difícil descobrirmo-nos se não nos desligarmos dos “entornos”, ainda que momentaneamente.

Na arte, tal movimento é constante. A manifestação artística é momento supremo do encontro do ser consigo mesmo, para depois se doar ao mundo!

Depois de pronta a obra, é impossível estar-se só! Porque a “união de espírito” jamais é solitária! É sempre comunhão. Ser compreendido é estar e sentir-se “junto”.

Portanto entendo a “obra de arte” como o triunfo do homem sobre a sua solidão… o tal do limão transformado em suco…

Assim, acredito que todo artista, por necessidade, é um pouquinho mais só do que o restante da humanidade.

Mas que solidão boa! Que estado maravilhoso de espírito, o de se estar sozinho para se encontrar próximo a si com a finalidade de se doar! É algo pleno, mágico!

Por esta ótica, vejam, solidão nem sempre é algo ruim.

Dizem que toda realidade é bem mais suportável que a fantasia do medo, e costumo usar a solidão para ilustrar tal assertiva.

Ser sozinho, assusta apenas a quem ainda não aprendeu a “entender” a solidão.

E quem disser que não a conhece, na verdade nega sua própria condição de humanidade.

Sejamos pois…felizes e unidos solitários…

E enfim, a melhor das obras a todos: A VIDA.

Mas…o que é solidão mesmo?

 

3 Comments »

  • Antonio Velho said:

    Boa noite Antonio Casteleiro… ! Abraço … Velho Mc

  • Telmo Martins said:

    Gostei.

  • Angela Ribeiro said:

    Tenho necessidade de alguns momentos sozinha. Mas nunca em isolamento nem solidão…

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