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A globalização !

6 Agosto 2011 Não Commentado

Antonio CasteleiroA facilidade e intensificação das redes de comunicação favorecem a identificação pessoal. O ser define-se através do confronto com o alheio, com o outro. O estreitamento de horizontes, o fechamento no ego e no grupo restrito, impede o desabrochar das potencialidades humanas, a construção individual. Se queremos assumir a nossa verdadeira especificidade, mediante o exercício da autonomia individual, teremos de livremente trocar experiências diversificadas, de forma a descobrirmos a contribuição própria que temos a dar na construção da generalidade do mundo em que vivemos.

É por isto que, se constata que, à medida que a globalização se acentua nas sociedades actuais, maior é o investimento na definição das realidades locais e regionais. É como se, a segurança alcançada por uma inserção mais conseguida na amplitude mundial, permitisse a realização mais individual, mais ao nível das populações, das pessoas. Claro que falamos da globalização em si  e não no sentido que lhe pode ser dado pelos lideres sociais e políticos, mais propriamente, aqueles que têm poder para a orientarem no sentido que lhes convém.

A liberdade que a expansão denota, possibilita a liberdade de expressão individual e grupal. O alargamento da expansão, origina o aprofundamento da realidade em todos os níveis de expressão, sendo ambos os factores necessários a qualquer processo de crescimento.

Só se fica maior, se se crescer em ambas as direcções da cruz do Ser, isto é, se se investir nas suas linhas horizontal (que permite o alargamento) e vertical (que se prende à ideia de aprofundamento).

Ao tornar-se o mundo mais global, mais interactivo, cada um dos seus elementos poderá construir a sua própria realidade, porque lhe é facultada uma expansão de si, um maior alargamento. Percebe-se, então, que o pequeno está intrinsecamente ligado ao grande e que aquele só se define, desde que integrado no outro. Sem a consciência do grande, o pequeno não se reconhece, fazendo-o apenas quando se apercebe que o grande e o pequeno não existem senão na ilusão das nossas mentes, confundindo-se ambos numa coisa só – a Vida.

Nesta linha de reflexão, concluímos que, quanto mais nos abrirmos para a amplitude de experiências que a vida comporta e faculta, mais poderemos evoluir, porque pomos em andamento e concretização aquilo que são as faculdades próprias, actualizadas mediante o conhecimento e a liberdade que alcançámos.

Esta postura originará um incremento da evolução geral, já que serão cada vez mais diversificadas e generalizadas as iniciativas individuais e grupais que se reflectirão no conjunto colectivo.

A prevalência da estrutura sobre o indivíduo, que caracterizou as sociedades pré-industriais  e que ainda se verifica em determinados contextos que resistem à mudança sociológica entretanto alcançada na generalidade do mundo ocidental, obstaculizava a realização pessoal, já que os papéis sociais e os comportamentos, eram impostos em função do interesse do grupo, da comunidade, a quem cada um se deveria sujeitar, em nome da coesão do conjunto.

Nesses grupos e comunidades eram percepcionados como separados dos restantes, formando como que ilhas isoladas, sem abertura para o resto do mundo que então era desconhecido.

As especificidades, as diferenças, não eram consideradas, mas apenas importava o núcleo integrador, que se procurava acima de tudo preservar, por receio de perda, decorrente de uma limitação de contactos, de uma estreiteza de horizontes, cingidos apenas aos familiares, aos vizinhos próximos e aos habitantes de um mesmo povoado.

A incapacidade de realizar e o imobilismo contribuíam também para esta situação. O poder autocrático e a direcção autoritária fazia prevalecer a realidade superior, em detrimento da considerada inferior, que era diminuída e anulada. A desigualdade social era a lógica em que tudo se baseava.

Nas sociedades modernas, a democracia política, tendo como pressuposto ideológico a noção de igualdade entre todos os cidadãos, origina o estabelecimento de parcerias, que substitui uma gestão exclusivamente orientada de cima para baixo, em termos de um esquema piramidal, permitindo e suscitando a autonomia, inspirada no individualismo sociológico, que é apanágio da modernidade.

A auto-determinação é pois promovida, originando a projecção do ser humano no mundo maior em que se insere e com o qual estabelece relações que enriquecem ambas as partes.

Desta forma, tender-se-á cada vez mais para para a realização pessoal, que advém da descoberta daquilo que é a verdade de cada um, descortinada na relação do indivíduo consigo próprio e com o mundo maior, entretanto descoberto, que o ultrapassa e transcende, mas que subjaz à sua experiência pessoal.

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