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O olhar !

25 Julho 2011 Não Commentado

Antonio Casteleiro O que esconde um olhar? O que traduz um olhar? Não importa a cor…
Muitos esquecem que os olhos não vêem tudo verde, não vêem tudo azul, não vêem tudo castanho, não vêem tudo negro…
Por trás de um olhar, existem mistérios a serem desvendados, com lacunas a serem preenchidas, incógnitas ‘internas’ defendidas

Um olhar calmo dá imediatamente a impressão de uma vontade que sabe o que quer e que não se deixará desviar do seu intento. Um olhar calmo e tranquilo basta muitas vezes para inspirar uma espécie de insegurança aos insubmissos: sentem então por instinto que não terão a última palavra.

Um olhar misterioso é aquele que suscita em nós algo desconhecido ou transcendente, desviando-se do trivial da comunicação de nível sensorial. Os gurus ou mestres das mais variadas origens religiosas costumam, ao olhar, transmitir esta energia especial.

Um olhar observador é aquele que analisa, avalia e tira as suas próprias conclusões sobre o foco da sua observação. Encontrado em intelectuais, cientistas e terapeutas, principalmente.

Um olhar superior é encontrado naquelas pessoas que possuem um sentimento de superioridade perante às demais. Em parte, aproxima-se da pessoa de olhar preconceituoso, mas distingue-se desta, pelo aspecto do factor orgulho elevado ao extremo. É a pessoa popularmente conhecida como “se possuísse o rei na barriga”.

Um olhar firme é revelador de firmeza de carácter, de firmeza interior, distinguindo-se do olhar duro (empedernido) pela não manifestação do radicalismo neurótico no “uso” inconsciente do “ser firme”. É mais comum no homem e mais observável pela mulher.

Um olhar perdido encontramos entre as pessoas que experimentam um desgosto pela vida.
Nos indivíduos depressivos, nos meninos e meninas de rua e nos mendigos, assim como em certos intelectuais e idealistas das chamadas “causas perdidas”.

Um olhar confiante, por si só, transmite aquilo que é externamente captado: confiança. Revela transparência interior e, normalmente, é encontrado em pessoas idealistas e em líderes comprometidos com as causas sociais.

O olhar apaixonado é o olhar revelador do “brilho nos olhos” da paixão. É uma característica pessoal e inerente à natureza humana. Pode manifestar-se em curtos ou longos períodos e com alternâncias de intensidade, como pode também jamais manifestar-se.

Um olhar inteligente transmite conhecimento e sabedoria. Em parte confunde-se com o olhar misterioso, mas, fundamentalmente, distingue-se daquele pelo factor não-religioso enquanto dogma. É o olhar da pessoa moderna, lúcida e voltada às coisas da alma e das ciências de um modo geral.

Um olhar profundo é aquele olhar encontrado nos grandes mestres da espiritualidade e das ciências. Se observarmos o olhar de Einstein, de Mahatma Gandhi ou de Francisco Xavier, imaginaremos como seriam, entre outros, os olhares de Jesus Cristo e de Buda. São marcas registadas de almas evoluídas que chegaram a um nível em que seus olhares estão na razão directa da sintonia de seus espíritos.

O olhar, é revelador da personalidade e do carácter, ou seja, da intimidade de cada um. É marca registada que subjectivamente informa como se encara a vida e o relacionamento.

Mesmo o olhar indiferente suscita reacções contraditórias. O olhar é, em grande parte, a morada do homem. O universo do olhar é vasto e misterioso.

Olhar proximidade, acolhe o que passa desabrigado. Olhar rejeição, distancia o gesto de diálogo. Olhar atracção, cativa e envolve o semelhante. Olhar envenenado, espalha ameaça.

Olhar inocente, semeia simplicidade pela face da terra. Olhar malicioso, planta a semente da maldade no corpo dos homens. Olhar indiscreto, revela as intimidades humanas. Olhar sigiloso, arquiva quadros dolorosos e cenas humilhantes. Olhar atento, não desperdiça o menor sinal de boa vontade.

Olhar displicente, esquece a presença do outro. Olhar compreensivo, apaga os rastos dos erros. Olhar intolerante, espreita o deslize da fraqueza. Olhar mesquinho, cata e filtra migalhas.

Olhar encolerizado, fulmina o parceiro. Olhar apelo, suplica compaixão e ajuda. Olhar intransigência, cobra a última gota de sofrimento. ‘Olhar amor, unifica os que se querem. Olhar ódio, esfaqueia os que se detestam.

Olhar história, vive a evolução das construções, o fluxo das gerações, o movimento dos estilos. Olhar documentação, regista as clareiras dos horizontes, a floração dos campos, o sangue dos acidentes, o desesperado precipitando-se do edifício, o último aceno de quem está se afogando.

Olhar de ansiedade, fica na estrada acompanhando aquele que parte. Olhar de esperança, não sai da estrada, aguardando a volta do filho pródigo. Olhar do recém-nascido, anuncia a chegada de uma existência. Olhar do agonizante, procura perpetuar sua presença entre os que ficam. Olhar evangélico, anuncia o reino de Deus. Olhar céptico, recusa os sinais da esperança.

Olhar consciente, activa a reflexão humana. Olhar manipulador, manipula os homens como objectos. Olhar libertador, retira o irmão do cativeiro moral. Olhar decidido, busca a realização pessoal.

Olhar evasivo, evita o encontro com a realidade. Olhar pacífico, reconcilia as vidas separadas. Olhar reticente, fragmenta a confiança. Olhar de perdão, põe de pé a quem estava caído.

O olhar é muito mais do que função fisiológica, é uma linguagem forte. É um universo carregado de sentido. É condensação do mistério do homem.

Relata o destino de muita gente. Provoca alterações decisivas na vida

 

 

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