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“Incêndios em Portugal 2025: Um Eco de Erros do Passado”

30 Agosto 2025 305 views Não Commentado

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[Na foto a aldeia do Piodão: o Antes e o Depois]

Os incêndios florestais que devastam Portugal em 2025 trazem à tona uma série de questões que refletem a falta de aprendizado com tragédias passadas, como as de 2017. Apesar das promessas de mudança e das lições que deveriam ter sido extraídas, a realidade atual demonstra que muitos dos erros do passado continuam a ser repetidos.

Um dos pontos mais críticos é a ausência de uma resposta eficaz por parte das autoridades. O atual primeiro-ministro, que em 2023 criticava a falta de presença dos líderes políticos durante crises, agora enfrenta a mesma reprovação da população. A sua ausência em momentos de calamidade, que deveria ser um símbolo de apoio e solidariedade, é vista como uma falha grave, especialmente quando a situação se agrava e as comunidades precisam de liderança e conforto.

A ministra da Administração Interna também se vê sob pressão, com a população a questionar a eficácia da Proteção Civil. A falta de conhecimento e preparação da instituição é uma preocupação crescente, especialmente entre os bombeiros e suas chefias, que expressam desagrado com a forma como a situação está a ser gerida. A falta de coordenação e a ausência de um plano claro para enfrentar os incêndios são frequentemente mencionadas como fatores que agravam a crise.

Além disso, a futura ordenação do território é um tema que não pode ser ignorado. A urbanização descontrolada e a falta de políticas de gestão florestal sustentáveis têm contribuído para a vulnerabilidade das áreas afetadas. A necessidade de um planejamento que considere as características geográficas e climáticas de Portugal é urgente, e as chefias da Proteção Civil, que deveriam ser as mais preparadas para lidar com essas questões, muitas vezes são eclipsadas por interesses políticos.

A insatisfação popular é palpável, e a sensação de que nada mudou desde 2017 é um sentimento comum. As promessas de investimento em prevenção e formação parecem ter sido esquecidas, e a repetição de tragédias levanta questões sobre a responsabilidade dos líderes políticos. A população exige não apenas ações imediatas, mas também um compromisso genuíno com a mudança e a proteção do território.

A luta contra os incêndios não é apenas uma questão de combate ao fogo, mas sim uma questão de justiça social, de respeito pela vida e pelo meio ambiente. A proteção das florestas e das comunidades deve ser uma prioridade, e isso começa com a responsabilização dos líderes e a valorização dos profissionais que estão na linha de frente.

Em suma, os incêndios de 2025 em Portugal não são apenas um desastre natural; são um reflexo de falhas sistêmicas que precisam ser abordadas. A falta de aprendizado com o passado, a ausência de liderança efetiva e a necessidade de uma gestão territorial mais consciente são questões que exigem atenção urgente. A proteção do território e das comunidades deve ser uma prioridade, e isso requer um esforço conjunto de todos os setores da sociedade.

Além das ações imediatas e da responsabilização dos líderes, é fundamental que haja um investimento significativo em educação e conscientização ambiental. A população deve ser informada sobre a importância da preservação das florestas e das práticas sustentáveis. Programas de sensibilização nas escolas e nas comunidades podem ajudar a cultivar uma cultura de respeito pelo meio ambiente, promovendo a participação ativa dos cidadãos na proteção dos seus territórios.

A colaboração entre instituições, comunidades e especialistas em gestão ambiental é essencial para desenvolver estratégias eficazes de prevenção. A formação contínua dos bombeiros e das equipas de emergência, bem como a capacitação das chefias da Proteção Civil, deve ser uma prioridade. Somente com um conhecimento sólido e atualizado é que será possível enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela urbanização descontrolada.

Por fim, a solidariedade comunitária deve ser incentivada. As comunidades que se unem para proteger o seu ambiente e apoiar os seus vizinhos em tempos de crise são mais resilientes. A construção de redes de apoio e a promoção de iniciativas locais podem fazer a diferença na prevenção e na resposta a incêndios.

(António Casteleiro)

www.antoniocasteleiro.com

” Aceito os ignorantes ! Não aceito os que ignoram a própria ignorância. ” (António Casteleiro)